Ceridório
55% das Empresas Brasileiras Não Medem o ROI da IA — e Há Um Ano Eram 30%

55% das Empresas Brasileiras Não Medem o ROI da IA — e Há Um Ano Eram 30%

A 3ª edição do Panorama da IA no Brasil, da Zappts, mostra que 55,1% das empresas não têm mapeamento estruturado de ROI em IA — contra 30,6% em 2025. O indicador que deveria melhorar com a maturidade piorou 24,5 pontos. Entenda por que, e o que fazer antes do próximo projeto.

08 de setembro de 20267 min de leitura

Quando uma tecnologia amadurece, a medição melhora. É assim com cloud, com marketing digital, com qualquer coisa que sai do hype e entra no orçamento. Com IA no Brasil, aconteceu o contrário.

A terceira edição do Panorama da IA no Brasil, da Zappts, divulgada hoje, traz um número que merece parar a reunião: 55,1% das empresas não possuem nenhum mapeamento estruturado de ROI em inteligência artificial. Em 2025, na edição anterior, eram 30,6%.

O indicador piorou 24,5 pontos percentuais em um ano. E apenas 19,8% dizem medir retorno com clareza e de forma recorrente.

O Que Realmente Aconteceu Entre 2025 e 2026

A leitura preguiçosa é "as empresas ficaram piores em medir". Não é isso. O que mudou foi a base de comparação.

Em 2025, quem tinha IA em produção era um grupo pequeno e, em geral, bem estruturado — projetos com patrocínio executivo, escopo definido e alguém responsável pelo número. Em 2026 a IA entrou em todo lado: área de negócio criando agente em ferramenta low-code, time de marketing assinando SaaS com IA embutida, operação usando assistente sem passar por TI.

A adoção cresceu mais rápido do que a capacidade de medir. O denominador mudou, e o percentual que não mede subiu junto.

Isso conversa diretamente com o que o State of AI da Deloitte mostrou para o Brasil: lideramos em adoção declarada e travamos na escala. Adotar virou fácil. Provar que valeu, não.

O Gargalo Mudou de Lugar — e Quase Ninguém Reparou

Este é o achado mais subestimado do estudo, e ele muda onde você deve gastar atenção.

Nas duas edições anteriores, falta de talento era a maior barreira à implementação, com cerca de 60% das indicações. Nesta edição, despencou para 3,2% — a última de todas as causas.

O que subiu ao topo:

Barreira2026
Segurança da informação e privacidade13,7%
Integração com sistemas legados10,5%
Falta de talento3,2%

Leia isso como um gestor, não como um técnico. Durante dois anos, a resposta padrão para "por que a IA não anda aqui" foi não temos gente. Essa desculpa acabou. As ferramentas ficaram acessíveis o suficiente para que qualquer analista construa um agente numa tarde.

O que ficou no caminho não é habilidade — é estrutura: segurança, integração e, como o próprio estudo mostra, medição.

41,9% Operam Agentes de IA Sem Nenhuma Regra

A Zappts posicionou esta edição sob o tema "O ano dos Agentes de IA", e o dado de governança explica a escolha: 41,9% das empresas admitem não ter nenhuma política, framework ou regra de segurança ou ética para uso de agentes.

Some isso ao gargalo de segurança em primeiro lugar e você tem o retrato do Shadow AI: áreas de negócio criando os próprios agentes em plataformas low-code, com a TI cega quanto a custo de tokens, versionamento e para onde o dado está indo.

Não é um risco hipotético. É um agente rodando agora, criado por alguém bem-intencionado, que ninguém sabe descrever em reunião.

E tem o lado do dinheiro: 26,2% das empresas não têm orçamento definido para projetos de agentes de IA, e 19,5% disputam espaço dentro do orçamento tradicional de TI, sem verba própria. Projeto sem verba própria é projeto sem dono — e projeto sem dono é exatamente o que ninguém mede.

Uma Ressalva Honesta Sobre o Estudo

Antes de você levar esses números para o board, vale saber o que eles são e o que não são.

A pesquisa ouviu 167 respondentes de grandes empresas — executivos de tecnologia, inovação e negócios em cargos de liderança — entre abril e julho de 2026, por formulário online enviado à base de e-mails e às redes da própria Zappts. A margem de erro declarada é de 7,6% para 95% de confiança.

Ou seja: é uma amostra autosselecionada, de empresas grandes, com viés provável para quem já se interessa por IA. Não é um censo das empresas brasileiras, e o número real do mercado geral pode ser pior, não melhor — porque quem responde a uma pesquisa sobre IA tende a estar mais adiantado que a média.

Isso não invalida o achado. Reforça: se entre os interessados 55% não medem, entre os demais dificilmente é melhor.

O Que Fazer Antes do Próximo Projeto de IA

A boa notícia de um problema de medição é que ele se resolve com decisão, não com orçamento. Três movimentos, na ordem:

1. Defina a linha do P&L antes da ferramenta. Não "vamos usar IA no atendimento", e sim "queremos reduzir o custo por atendimento em 20% até dezembro". Sem uma linha financeira nomeada, qualquer resultado será "dentro do esperado" — e é assim que 55% chegam onde chegaram. É o L do Método LUCRO.

2. Faça o inventário dos agentes que já existem. Inclua os que a equipe criou por conta própria. Você não governa o que não sabe que existe, e com 41,9% sem regra nenhuma, a chance de haver algo rodando fora do radar é alta. Quatro perguntas bastam para começar: quais IAs rodam hoje, que dado entra nelas, quem assina pela decisão que elas tomam, e qual saída exige revisão humana. Detalhei o roteiro em governança de IA nas empresas.

3. Meça resultado financeiro, não percepção. "A equipe está mais rápida" é sensação. "O custo por proposta caiu 22%" é número. Hora economizada só vira dinheiro quando a capacidade liberada é redirecionada para algo que gera receita ou corta custo — foi o tema de produtividade não é ROI, e o método de cálculo está em ROI de IA: como calcular retorno real.

Nenhum dos três exige comprar nada.

O Que Muda Quando Se Mede

No Instituto Pedro Ruiz, o projeto começou com a métrica financeira definida antes da ferramenta, e com um dono para o número. Em seis meses, o faturamento saiu de R$ 1,3 milhão para R$ 3,8 milhões — +192%, com 70% do atendimento automatizado.

O que separou esse projeto dos que viram piloto eterno não foi o modelo escolhido nem o tamanho do investimento. Foi ter respondido, antes de começar, à pergunta que 55,1% das empresas não conseguem responder depois: em que linha do resultado isso aparece?

O Seu Projeto de IA Tem Critério de Retorno?

Se você não sabe dizer, em uma frase, qual número da sua operação a IA deveria mudar e até quando, você está no grupo dos 55,1% — e o problema não é a tecnologia.

Montei um diagnóstico gratuito de 30 minutos para mapear onde a IA gera resultado financeiro real na sua operação: ceridorio.tec.br/lucro. Se preferir começar sozinho, as 10 perguntas antes de assinar um contrato de IA cobrem o essencial.

Adotar IA deixou de ser vantagem competitiva — metade do Brasil já adotou. A vantagem, agora, é saber se está funcionando.

Fontes

  • Zappts, Panorama da IA no Brasil 2026 (3ª edição) — 167 respondentes de grandes empresas, abril a julho de 2026, margem de erro 7,6% / 95% de confiança
  • Mobile Time, Estudo aponta que empresas não têm ROI para IA (08/09/2026) — link
  • TI Inside, ROI da Inteligência Artificial desafia 55% das empresas no Brasil (08/09/2026) — link
  • Deloitte, State of AI in the Enterprise 2026 — Brasil na liderança de adoção e travado na escala

Texto de Tiago Ceridório, consultor de IA para negócios, com 16 anos em transformação digital e especialização em Inteligência Artificial e Ciência de Dados em Saúde pela Faculdade Sírio-Libanês Digital.

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